A terapia dos bichos de estimação
Toda criança tem o direito de se divertir, de ir e vir, de opinião e de expressão. Os psicólogos, no entanto, acrescentariam mais um item a essa lista: o direito de ter bichos de estimação. Os bichos têm um efeito particularmente benéfico, quase terapêutico, para a criança. Não é à-toa que dez entre dez especialistas em crianças recomendam bichos para os pequenos. A relação com um animal de estimação pode, entre outras coisas, diminuir estados de ansiedade, tédio e medo, gerar responsabilidades e promover maior integração e socialização com os colegas. “É habitual que o comportamento dela mude com a chegada de um animal de estimação”, afirma o australiano Dennis Turner, presidente da Organização Internacional de Interação Humano Animal. “A criança aprende a respeitar os animais como companheiros que também têm suas necessidades. Tornam-se confidentes porque freqüentemente estabelecem conversas secretas com eles. E basta a presença desses bichos para ajudar a melhorar a capacidade de concentração e de reflexão. Respeitando outro ser vivo, as crianças se transformam em pessoas melhores, porque se tornam capazes de levar em conta os desejos dos bichos”, acrescenta Turner. Turner recomenda o contato social com animais, desde que a situação em sua casa permita que a criança seja responsável pelo cuidado dos bichos. “Sou contra forçar as crianças a ter contato com animais se elas não aceitam. Mas essa rejeição geralmente é muito rara”, diz. Entre 4 e 6 anos, as crianças podem ter suas primeiras lições de responsabilidade trocando a água dos animais. Todas as tarefas devem, no entanto, ser acompanhadas pelos pais, que também devem ser incumbidos de funções mais complexas, como os cuidados com a saúde do animal. Mais tarde, entre 8 e 10 anos, as crianças já são capazes de ter maiores responsabilidades. Importância para o ambiente familiar Segundo Maria Cristina Milanez, Mestre em Psicologia Clínica da PUC–RJ e especialista em Terapia Familiar, os animais podem trazer harmonia não só para as crianças, mas para toda a família. “O afeto incitado pelo animal age como uma estimulante nos relacionamentos intrafamiliares. A afetividade e o bom relacionamento com os parentes também são muito importantes para o desenvolvimento da criança”, comenta. Em famílias modernas, onde a criança tem poucos irmãos e os pais são separados, o animal será fundamental para suprir uma provável carência. Segundo Maria Cristina, a companhia de bichos para crianças sem irmãos, ou sem a presença da figura materna ou paterna, pode ajudar a superar a lacuna afetiva. Poucos são os casos de rejeição das crianças por animais e, quando existem, não se estendem a todas as espécies. Se a criança não criou afeto por um gato, ou um cão, talvez um animal menor seja a solução. Havendo interatividade, ainda que através de gaiolas, os animais trarão alegria para a criançada.