A terrível lembrança de quem sofreu abuso sexual

by admin on 29/10/09 at 12:00 am

Foram três agressores. O primeiro foi meu tio, depois minha madrinha e, por último, meu pai. Recordo de um dia que meu tio – irmão do meu pai – me levou para o quarto. Estávamos sozinhos na casa da minha avó. Ele abriu a calça, deixou o membro para fora e me colocou sentada no colo dele. Ele dizia que era uma brincadeira, mas eu levantei e disse que não queria mais brincar daquilo. Não me lembro qual foi a reação dele, mas ficou forte a imagem do meu tio limpando o chão com um pano depois de ter ejaculado. Na época, eu tinha 5 anos e ele, 18. Com a minha madrinha era tudo mais explícito. Ela reunia os dois filhos, eu e meu irmão para assistir a filmes pornôs. Bebia muito e ia se despindo até ficar nua na frente de todos. Depois ia para o banho e deixava a porta aberta. Nossa família sabia, mas achava que tudo aquilo não passava de farra, loucura da minha tia. Ninguém tomava uma atitude para proteger as crianças, que tinham, em média, 9 anos. A cena envolvendo meu pai aconteceu um ano depois e é a mais difícil de descrever. Gravei apenas um flash. Estava de quatro no chão e ele atrás com o pênis na minha vagina. O trauma prejudicou a minha adolescência. Fiquei vulnerável a qualquer tipo de abuso porque não aprendi a impor limites. Em uma ocasião, um homem me convenceu a masturbá-lo sem que nós nem sequer tivéssemos nos beijado. Já fui vítima de assédio sexual no trabalho e também não consegui me defender. Sinto-me insegura. Essa impotência me faz ter vontade de ficar sozinha e o isolamento já me levou à depressão e à síndrome do pânico. Estou com 25 anos e desde os 21 faço tratamento psicológico. Conheci uma terapeuta que me indicou o SIA – Sobreviventes do Incesto Anônimos. Lá, ouço outras pessoas que passaram pela mesma experiência. Falamos do quanto é triste, choramos e também aprendemos a ver a sexualidade como algo normal. Saímos das reuniões com esperança. Ainda tremo toda vez que começo a falar desse assunto, mas, hoje, acho que posso mudar o final da minha história. Tenho uma vida inteira pela frente. Marisa, vítima de abuso sexual

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