Adolescente não tem camisinha especial

by admin on 17/08/09 at 12:00 am

Não há preservativo de tamanho pequeno no Brasil. Falta camisinha específica para o adolescente que inicia a vida sexual. Para esse jovem, o mercado nacional só oferece a camisinha padrão – de 5,2 milímetros de diâmetro e 16 centímetros de comprimento. Resumindo: na hora de vestir a camisinha, se o modelo comprado na farmácia não servir, não haverá outra opção. Nenhum dos três grandes fabricantes nacionais – Johnson & Johnson, Inal ou Blowtex – oferece uma versão “teen” do produto. Por dois motivos: a cultura nacional e a ausência de dados que comprovem que é realmente imprescindível um preservativo de medidas menores. Pouca rentabilidade Nos Estados Unidos e na Europa há preservativo para todos os tamanhos: pequeno, médio, grande e extra-grande. No Brasil, o tamanho é único: grande. O homem brasileiro, assim como o latino em geral, vê o preservativo como símbolo de sua masculinidade. Quanto maior o produto, portanto, melhor. “Todo mundo sabe que é necessário desenvolver um preservativo para o adolescente. Mas será que ele quer um tamanho menor? É mais provável que prefira comprar um GG”, diz Jayme Nakamura, gerente de produtos da DKT do Brasil, importadora de preservativos. “Pensando no lado econômico, então, fabricar camisinha pequena é pouco rentável. Mesmo tendo o produto à sua disposição, nenhum homem o compraria.” O primeiro preservativo O Ministério da Saúde não tem como provar que o modelo de camisinha oferecido no Brasil fica folgado em um adolescente e que, se houvesse oferta, haveria demanda suficiente para tamanho P. Em 1997, essa falta de dados foi crucial. “Quando os fabricantes brasileiros foram convidados pelo Ministério da Saúde para discutir o problema, não houve entusiasmo por parte de nenhuma das indústrias”, diz Rose Munhoz, responsável pela Unidade de Prevenção da Coordenadoria Nacional de DST/Aids do ministério. Mas a demanda por camisinhas pequenas já deu sinal de que existe no país. Há alguns anos, o Ministério da Saúde importou uma remessa desses preservativos para serem distribuídos em serviços de atendimento à saúde do adolescente e não houve encalhe. “Foi isso, aliás, que nos deu segurança para realizar uma nova compra este ano”, diz Rose. Cerca de 200 milhões de unidades de preservativos com 4,9 milímetros de diâmetro deverão ser distribuídas em 2000. “Ao criar um modelo que será o primeiro da vida do adolescente, a empresa poderia estar conquistando a fidelidade desse consumidor para a vida inteira”, diz Marcelo Rocha, gerente de marketing da Blausiegel. A empresa, que também fabrica preservativos, por enquanto não decidiu investir nessa idéia. Matéria de agosto de 2000

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