Cirurgia plástica em adolescentes

Trata-se de um verdadeiro turbilhão de mudanças físicas e comportamentais. Na adolescência, o corpo cresce em ritmo acelerado, ganha novos contornos e formas. Mas nem sempre eles estão de acordo com os modelos estabelecidos. Assim, o desejo de se submeter a uma plástica pode vir à tona. De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, das trezentas mil operações realizadas no Brasil ano passado, 10% foram feitas em indivíduos nessa faixa etária. Nas meninas, a redução de mama e a remodelagem do nariz foram as mais freqüentes. Já nos garotos, além da reforma nasal, a correção das orelhas de abano e a eliminação da ginecomastia – crescimento mamário anormal – ficaram entre as campeãs. “Os adolescentes têm procurado cada vez mais as cirurgias”, confirma o cirurgião plástico Luiz Carlos Garcia, presidente da sociedade brasileira. Cartilagem e osso bem formados Segundo Maurício de Maio, cirurgião plástico do Hospital das Clínicas de São Paulo, algumas operações só são realizadas depois de o adolescente ter concluído o desenvolvimento do corpo. “O nariz só é operado depois da cartilagem e do osso estarem completamente formados”, diz. E isso vai depender de cada caso. Sempre existe um garoto que cresce mais rápido do que os colegas. Certas plásticas já podem ser feitas assim que o mal aparece. Um exemplo é a que diminui o tamanho das mamas nos meninos. Esse problema pode ser provocado pela falta de balanceamento dos hormônios femininos, que estimulam o crescimento exagerado da glândula mamária. Às vezes, isso persiste mesmo depois da puberdade. Daí a necessidade da cirurgia. Em outros casos, o volume excessivo é provocado pelo depósito de gordura na região – trata-se da pseudoginecomastia – e a lipoaspiração é a mais indicada. Motivos são diferentes conforme a classe social As motivações que levam o jovem a buscar uma reparação estética também são importantes. Segundo a psicóloga Helena Lima, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC), a razão pode diferir de acordo com a classe social. “O adolescente pobre normalmente procura cirurgias corretivas ou reparadoras. Ou porque sofreram algum acidente ou porque a mama grande demais causa dor nas costas”, diz. Quem pertence a classes mais favorecidas, além de buscar a cirurgia reparadora quando necessário, também é orientado por uma estética da mídia e do grupo a que pertence. “Esse padrões são cruéis e não toleram diferenças”, diz a psicóloga. As imperfeições visuais abalam a auto-estima e podem fazer com que a pessoa tenha uma imagem deturpada de si mesma. Avaliação psicológica Antes de uma plástica, o jovem deveria consultar um psicólogo, que traçaria o seu perfil e, com esse dado, avaliaria o melhor momento para a cirurgia. Em alguns casos, ela poderia até ser descartada. Outro ponto fundamental é a participação dos pais. “Eles devem ouvir o filho, saber por que ele está querendo fazer a plástica”, afirma Lima. Além disso, precisam checar se há perturbações emocionais ou de saúde. Os especialistas estão de acordo em um ponto: se não for usada como recurso para resolver problemas de ordem psicológica, a cirurgia pode realmente elevar o amor próprio do adolescente. Matéria de julho de 2000

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