Diabetes, um peso na gravidez

A diabetes gestacional atinge cerca de 2% a 5% das brasileiras. Um quadro preocupante, pois é um problema que põe em risco a saúde da mulher e do feto. E, associadas à diabetes, costumam vir outras complicações, como hipertensão, infecções, problemas renais, vasculares e neurológicos. Na diabetes, há um aumento de glicose no sangue devido à deficiência na produção de insulina. Os tipos mais conhecidos são: I ou insulino-dependente e o tipo II ou insulino não-dependente. "No primeiro, há uma produção insuficiente de insulina, e no segundo, ela é normal, mas há um bloqueio à ação tecidual”, diz o ginecologista e obstetra Alexandre Donato, do Instituto Nacional do Câncer. O tipo II ocorre em adultos e a principal causa é a obesidade. A situação tende a voltar ao normal no final da gravidez Já a diabetes gestacional acontece quando o organismo acaba produzindo uma quantidade insuficiente de insulina tanto para a mãe quanto para o bebê. “Durante a segunda metade da gestação, a placenta libera hormônios que elevam a taxa de glicose no sangue, aumentando em média em 50% a necessidade de insulina”, diz. Para compensar, o organismo da mulher aumenta a secreção de insulina. O problema é que algumas não conseguem equilibrar esta necessidade e desenvolvem a diabetes. Uma situação que tende a voltar ao normal no final da gestação. “Para a maioria, é uma situação passageira, e o bebê se desenvolve normalmente, desde que sejam seguidas as recomendações médicas dadas durante o pré-natal”. Mas, a diabetes costuma persistir nos casos de mulheres que continuam obesas após a gestação. “Nesse caso, cerca de 40% podem continuar com a doença”, diz o médico. Diversos fatores podem provocar a diabetes gestacional Alguns fatores costumam ser apontados como causadores da diabetes gestacional: a obesidade ou o ganho excessivo de peso na gestação; fatores hereditários; uma gestação anterior com bebê pesando mais de quatro quilos ao nascer ou com diagnóstico anterior de diabetes; aborto ou morte fetal anterior (não esclarecidos); gestação anterior com diagnóstico de polidramnia (aumento da quantidade de líquido amniótico); e crescimento uterino maior do que o esperado para a idade gestacional. Além disso, outro fator que pode pesar é a idade da gestante. Mulheres acima de 30 anos têm mais predisposição a desenvolver a diabetes. Mas, apesar disso, um alento: o fato de a mulher ter desenvolvido a diabetes em uma gravidez não significa que ela voltará a apresentar o mesmo quadro em outra gestação. "Ainda assim, é uma gravidez que deve ser muito bem acompanhada, pois a diabetes é considerada um fator de risco", diz o Dr. Alexandre Donato. Quando a diabetes pode afetar o desenvolvimento do feto e acarretar problemas futuros A diabetes gestacional provoca uma incidência maior de abortamentos, anomalias congênitas (no sistema nervoso, coração, sistema esquelético, trato gastrointestinal e urinário), aumento da quantidade do líquido amniótico, morte intra-uterina e anomalias de crescimento (macrossomia é a principal, quando os bebês nascem com mais de quatro quilos). O ginecologista Alexandre Donato explica ainda que pode haver um crescimento uterino retardado em mulheres com diabetes de diagnóstico anterior à gestação. Estas alterações se devem à hiperglicemia, que leva a um aumento da produção da insulina fetal (elevando a taxa de crescimento). “Esses bebês grandes devido à diabetes são chamados de gigantes de pés de barro, por serem mais suscetíveis a várias patologias após o nascimento”, explica, referindo-se a problemas intestinais e respiratórios. Ele diz que outros motivos de produção de alterações fetais se baseiam em uma provável falta de oxigênio ou ainda na alteração do metabolismo. Segundo o médico, este crescimento uterino retardado acontece nos casos crônicos e está relacionado a alterações placentárias. Algumas mulheres podem estar com diabetes, mas não apresentar sintomas De modo geral, o diagnóstico da diabetes gestacional é feito em torno da vigésima-sexta semana, quando é pedido um exame de sangue específico, o de glicemia pós-prandial ou curva glicêmica. "Mas, a solicitação de um ou outro tipo de exame só acontece após a análise dos fatores de risco para a diabetes ou após o acompanhamento do ganho de peso durante a gestação". O Dr. Alexandre explica que a suspeita clínica se dá pelo crescimento excessivo do feto ou da quantidade de líquido dentro da barriga; do aumento de peso materno exagerado e de infecções urinárias de repetição. “Há ainda as mulheres que urinam e comem muito ou que têm sede exagerada”, acrescenta. Muitas vezes, no entanto, a mulher não apresenta nenhum desses sintomas e, no entanto, já desenvolveu a diabetes gestacional. "De qualquer forma, o problema vai ser detectado porque é rotina pedir o exame de diabetes no pré-natal". Obedecer às orientações do médico é fundamental Para o médico, é fundamental que se mantenham os níveis de glicose em valores normais, evitando assim todas as consequências da diabetes gestacional. Além disso, recomenda-se a atividade física sob supervisão para o controle do ganho de peso e uma dieta controlada e bem balanceada. Nesse tipo de gestação, a insulina só é prescrita para pacientes que não mantêm níveis aceitáveis de glicose no sangue, mesmo seguindo as orientações médicas. E uma internação, para os casos mais difíceis, pode ser necessária. "Além disso, existem várias recomendações para se avaliar o crescimento, desenvolvimento e bem-estar fetal, que incluem ultra-sonografias periódicas, cardiotocografia, perfil biofísico fetal, doppler, ecocardiograma fetal, feito a partir da vigésima-segunda semana de gestação", diz.

Doutor(a),

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